quinta-feira, 21 de janeiro de 2010



[...] ainda era tempo de repassar trechos da sua vida a limpo quando ainda sentia os pequenos sinais daquela dorzinha que a acompanhava a algum tempo. Decidiu então que ainda era tempo de reorganizar sentimentos, cada um em seu lugar como livros coloridos em uma estante [quando não colocados de forma aleatória]. Assim, pensava ser possível dispor a coleção de pessoas em cada lugar, encaixar as preferidas em uma prateleira mais alta, dedicar mais tempo e poder tocá-las como se dedilha um livro pelo qual se sente emoção apenas ao sentir seu cheiro, ao olhar sua diagramação ou a espessura de suas folhas. Alguns livros devem ser repassados, e alguma pessoas repensadas. Repensar pessoas é tentar encaixá-las na estante da vida baseado na história que elas trouxeram as nossas vidas. Algumas histórias tem tonalidades bonitas e fazem a gente rir com a suave capacidade de tornar as nossas entrelinhas mais compreendidas, outras porém, parecem trazer fantasia e em suas últimas palavras embotam desfechos tristes e inesperados. Criar finais felizes, nem todas as pessoas tem essa força; assim como os livros que trazem em suas folhas finais trágicos que são capazes de fazer-parecer-a-vida-despedaçada. Eu tenho uma coleção de histórias com pessoas que trariam diferentes enredos, livros grandes, de muitas páginas, de hooooras longas de dedicação de leitura... que me fizeram os olhos lacrimejados de decepção por finais inesperados e tristes. Mas eu guardo pessoas que são como pequenos livros e que em poucas horas, nas pequenas entrelinhas de um olhar trouxeram-me um riso incontido e o amparo inesperado.

Eu tenho histórias que não acabaram e espero um dia poder contar finais felizes aos personagens que permanecerem no meu enredo inusitado.

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