sábado, 10 de abril de 2010

'Você sabe que não sou mulher de arrependimentos, de olhar pra trás, essas coisas. A gente tem que mirar no alvo e atirar, pronto, foi. A flecha não volta. Se acertamos ou erramos, não tem volta. Foi assim que levei a vida sempre...'

Ah, Caio.
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Começo assim.
Dia lindo, colorido e sem medo. Dia frio e de cachecol vermelho; depois da noite tumultuada da falta de ar, relembrando meus doze anos, só que agora de coração cansado.

Ora, eu que não entendo nada sobre as múltiplas definições de tempo, aprendi que ás vezes [em situações inusitadas] a gente acaba deixando uma porção de sentimentos pesados que nos casam os ombros escorrendo lentamente e indo embora pelo ralo num piscar de olhos... olhos então desembaçados, opacos tomados por uma estranha umidade e uma alegre nitidez. O tempo passa.

Eu me afasto do peso do seu olhar torpe e me ponho de frente ao mundo, deixo a covardia inteira do outro lado da mesa. Não quero mau-olhares e nem mesmo mau-olhados. Eu sussurro: "Guarde isso no bolso é pesado demais pra mim...". Ponho no rosto o meu riso largo e o meu olhar firme e sigo em passos largos caminhando em direção ao salão cor amarelo na tentativa de não olhar pra trás. Não olhar pra trás.

Agora (sim) me vejo e consigo enxergar com toda doçura as oportunas gentilezas que a vida me deu de presente [e que tantas vezes insisti que os fatos queriam, por pura incoerência, inibir o meu melhor riso].

[...]

E de você, moça: a mais pura saudade. Sei que você, por toda transparência e bons sentimentos que consegue enxergar em mim, soube entender as poucas lágrimas que se acumulavam no canto dos meus olhos. Era saudade, moça. O peso do ar emudeceu meu coração e eu caminhei pro teu abraço de menina. Guardei todas as lembranças bonitas nas minhas pálpebras fechadas, úmidas e então molhadas por lágrimas pretas e encontrei o seu sorriso particular. As memórias frouxas e o riso fácil. Te abraço, sussurro palavras quietas e te dou chuva, que nesse tempo é o meu melhor presente.

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